Quatro importantes antologias
serão lançadas na Fliporto

A Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas - Fliporto, nesta sua terceira versão em que homenageia a literatura da América Latina, estará promovendo o lançamento de quatro antologias: Panorâmica do Conto em Pernambuco, Antologia de Poesía Brasileña, O Rio que Fala e Mundo Mágico: Colômbia. Tudo acontecerá de 27 a 30 de setembro, durante a vasta programação literária idealizada pelo curador Antonio Campos para trazer a Pernambuco o que há de mais expressivo na produção literária do território latino-americano.

A primeira delas, que trata do conto pernambucano, foi organizada pelo próprio Antonio Campos e o escritor Cyl Gallindo. Eles conseguiram reunir 114 escritores, assumindo a condição de pernambucanos não apenas aqueles que nasceram nesse Estado, mas também aquele que fez de Pernambuco o seu domicílio cultural. A edição é do Instituto Maximiano Campos (IMC), que tem se revelado um verdadeiro marco na divulgação da literatura do Nordeste. "Não medimos esforços para obter um resultado como esse, e entregamos o livro ao público leitor brasileiro com muito orgulho e a sensação de dever cumprido", afirma Campos, presidente do IMC.

Após a leitura de cerca de quinhentos trabalhos em livros, revistas, Internet, além dos que foram enviados pelos próprios autores, os organizadores conseguiram ainda descobrir e revelar desde a inédita Margarida Cantarelli, até o ex-governador de Pernambuco Barbosa Lima Sobrinho. O volumoso livro foi publicado pela Editora Escrituras, de São Paulo e promete ser um registro fundamental para a compreensão do relato breve na terra de Osman Lins e Hermilo Borba Filho.

A Antologia de Poesia Brasileña é uma edição da Huerga Y Fierro de Madri e foi organizada por Floriano Martins e José Geraldo Neres. Esta antologia, em suas quase 300 páginas, oferece ao leitor um raro momento de convívio com uma consistente diversidade estética da jovem poesia brasileira, notadamente dos poetas nascidos a partir dos anos 50. Organizada por dois poetas, Floriano Martins e José Geraldo Neres, constitui uma justa panorâmica que abrange autores de várias localidades do país. São os seguintes os poetas publicados: Lucila Nogueira, Glauco Mattoso, Adriano Espínola, Beth Brait Alvim, Contador Borges, Donizete Galvão, Floriano Martins, Nicolas Behr, Jorge Lucio de Campos, Vera Lúcia de Oliveira, Rubens Zárate, Ademir Demarchi, Ademir assunção, Leontino Filho, Marco Lucchesi, Weydson Barros Leal, Antonio Moura, Maria Esther Maciel, Rodrigo Garcia Lopes, José Geraldo Neres, Viviane de Santana Paulo, Alberto Pucheu, Fabrício Carpinejar, Salgado Maranhão, Sérgio Cohn, Rodrigo Petronio, Konrad Zeller, Pedro Cesarino e Mariana Ianelli.

Como diz um dos organizadores, Floriano Martins, logo no prefácio: "Nossa preocupação principal foi a de apresentar uma antologia livre de vícios. Há poetas de tonalidades distintas, um sopro muito variado e expressivo da poesia brasileira, nomes de poetas que estão em formação e outros que já encontram um lugar próprio reconhecível. É uma poesia em curso, como deve ser toda poesia. Estes nomes não representam toda a poesia brasileira, mas sim um de seus rostos".

O livro foi traduzido por um grupo de tradutores de vários países, sempre tendo em conta este ato solidário de reunir várias pessoas em torno de um mesmo projeto. Assim que é foram convidados tradutores de países como Argentina, Costa Rica, México, Venezuela, Peru e inclusive brasileiros. São eles: Adalberto Arrunátegui, Alfonso Peña, Aníbal Cristobo, Antonio Alfeca, Benjamin Valdivia, Carlos Osorio, Eduardo Langagne, Floriano Martins, Gladis Basagoitia Dazza, Luciana di Leone, Margarito Cuéllar, Marta Spagnuolo, Paulo Octaviano Terra, Reynaldo Jiménez e Tomás Saraví. Vale ainda registrar que a edição foi substancialmente enriquecida pela presença do artista plástico brasileiro Hélio Rola, que comparece com uma extensa obra gráfica interior, além de assinar a capa.

Organizada e traduzida por Floriano Martins e Lucila Nogueira, Mundo Mágico: Colômbia é uma antologia da poesia colombiana que abrange a lírica deste país sul-americano em toda a sua diversidade e valiosa contribuição ao longo de todo o século XX. O volume se inicia com a presença dos mais destacados poetas modernistas, a exemplo de José Asunción Silva (1865-1896), Guillermo Valencia (1873-1943) e Porfirio Barba Jacob (1883-1942), passando por importantes momentos, como aqueles definidos por grupos nucleados em torno de revistas como Los Nuevos (1925), Piedra y Cielo (1939) e Mito (1955), não esquecendo as contribuições não menos valiosas da segunda metade do século passado, onde se destacam um peculiar movimento como foi o Nadaísmo e a Generación Desencantada, nome com o qual ficaram conhecidos alguns poetas surgidos nos anos 70, a exemplo de José Manuel Arango (1937-2002), Giovanni Quessep (1939) e Harold Alvarado Tenorio (1945).

Dentre os valores mais substanciosos da lírica colombiana encontramos neste livro a poesia de Leon de Greiff (1895-1976), Aurelio Arturo (1906-1974), Álvaro Mutis (1923), Jorge Gaitán Durán (1924-1962), Armando Romero (1944) e William Ospina (1954), assim como as vozes femininas de Meira del Mar (1921), María Mercedes Carranza (1945-2003), Amparo Osório (1951), Piedad Bonnett (1951) e Orietta Lozano (1956), em um total de 40 poetas que pela primeira vez chegam ao leitor brasileiro, graças ao empenhos de Lucila Nogueira e Floriano Martins, que organizaram, prefaciaram e traduziram esta que é a primeira de uma série de antologias similares que ambos escritores preparam, dedicadas a cada país hispano-americano.  Seu parceiro, o cearense Floriano Martins tem nome reconhecido como poeta, ensaísta, tradutor e editor, sendo um dos principais responsáveis pela divulgação da literatura hispano-americana no Brasil, sendo bastante citar a revista Agulha  que fundou e dirige há 7 anos.

A quarta antologia, O Rio que Fala, dedica-se à poesia peruana e foi traduzida e organizada por Everardo Norões, também editor da Ensol, que faz o livro em convênio com a Sete Letras. Logo no prefácio, o professor Andityas Soares destaca o desconhecimento do público brasileiro da rica tradição poética do Peru, afirmando tratar-se da primeira obra sistemática publicada no Brasil  a oferecer "um mosaico denso e significativo, capaz de dar uma idéia bastante fiel do que é a poesia peruana contemporânea, herdeira em certa parte das vanguardas européias e dos espanhóis da Geração de 27, mas sem descuidar da poesia pré-hispânica e popular, bem como daquele que resulta  marcada pelos fenômenos políticos atrelados ao fato histórico".

Entre os autores encontramos poemas do celebrado Cesar Vallejo, Blanca Varela, Javier Sologuren, Jorge Eduardo Eielson, Juan Gonzalo Rose, Antonio Cisneros, Marco Martos. Também participaram da organização e tradução Diego Raphael, Pedro Américo de Farias, Sonia Lessa Norões.

 
Fonte: Publikimagem
 
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