Onde estão as vacas,
malhadas como café com leite
jogado em cima do alface.
Que o acaso me chegue
aos olhos nem discuto,
mas que o sangue derramado
das virgens poluam meus instintos,
aí eu grito.
Dou mais um passo em direção
aos sinos, e me sinto
em casa, como vadio
coletor de lixo
que caminha por
debaixo das pontes,
ouvindo ao longe
o cantar dos ponteiros.
Me acanho de dizer que caminho nú,
pois, minhas roupas não são minhas
e o que como me foge aos olhos.
Sinto o cheiro dos cães,
se aproximarem de mim.
Sei que estou a um passo
da eternidade, e vejo
lugares que já andei,
pessoas que me lembro,
caminhos que eram meus.
Se as músicas podem ser
tocadas pelos dentes dos
gatos, então posso ouvir
meu canto sòmente ao
olhar o espelho.
E assim sou jogado
na floresta.
Quanto as índias, que deixei,
aos pés de uma árvore
qualquer,
me procuram nos meus sonhos,
chorosas,
lamentando o sangue branco que corre
nas veias de seus filhos.
Pois, tambores, não toquei
para avisar de minha chegada,
mas vim como tempestade
que tudo derruba, da árvore mais
dura ao fruto mais
maduro.
Do canto mais belo
ao caminho esquecido.
Das valsas dos bicos
dos pássaros, aos
psicodélicos jatos
de luz que passam por entre as folhas.
E o sangue, poluiu também
a aldeia mais próxima, com
mais sementes, vertendo por
vales de pernas amarronzadas,
como tinta de fruto, e prazeres
febris.
Como noite de chuva.
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...Como sempre abaretes
Poema sem fim
Vacas malhadas
O vôo da salamandra
Ondas |