Uma vez, do Olimpo, a Eternidade confessou inclinar-se sobre teus sonhos.
É que o tempo, tão antigo e tão cansado, apesar disso,
jamais tinha visto tanta luz... comparada aos sois de todo o Universo.
Pensei comigo: de onde vem a beleza desse ser que despreza Apolo
e iventa casulos para a expressão desamparada das aguzedas dos séculos?
Levem meu coração, as hárpias inconseqüentes, se estou errado,
mas não posso comparar-te senão às amplidões!
De teus olhos castanhos de águia fervente, a compreensão do mundo,
a decepção humana e a insanidade se transformam...
reluzem em arcos de sobrevivência, feitos para mim.
Distante, posso ver-te por tuas palavras,
Distante, posso amar-te sem beija-la
Distante, levanto meus braços para receber-te na solidão de meus passos.
E por onde andares: estarei.
Denis Maerlant
