HÁ MOMENTOS... (17/03/07) ACALANTO...


Há momentos,
Em que simplesmente precisamos.
Como crianças carentes,
Desejar e não alcançar
Machuca anormalmente.
Uma necessidade real,
Ainda que infantil,
Toma conta da gente.

A ausência dói,
Mesmo que temporária,
Pois o tempo não importa.
Ainda que necessária,
Ou na certeza da volta,
Nos sentimos sem lastro,
Nossa emoção não suporta.

Há momentos,
Em que a distância de quem se ama
É uma mão ingrata,
Que amassa nosso coração
E joga no meio do nada.

A ferida de um amor perdido
Arde ininterruptamente,
Ainda que não leve à morte,
Nos mata para o presente.

Seguimos como fantasmas
Até podermos, finalmente,
Compreender que somos inteiros,
Vidas independentes.
Está ao nosso alcance,
A cura lenta e crescente.


(continua)