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O EGO DESESPERADO

O Ego Desesperado

Era uma vez uma Ego, ele andava instafeito, e resolveu se mudar. Não sabia para onde, até porque não sabia porque não queria ficar ali.
Talvez ele não soubesse nem onde estava. As carapuças sempre estiveram aí - cada um com a sua, mas o costado era tão largo e tão duro, espinhoso, que qualquer tentativa de amá-lo era impossível. E assim, quando ele não sabia o que fazer, partia corações. Donzelas chorosas, rebentos feito às pressas, ego abandonado. E ele continuava cada vez mais na solidão. tornando o que tocava solidão. O tempo passava e os corações que o cercavam, tornaram-se inférteis. Uns desciam acusações sobre sua cabeça, outros vingativamente o procuravam querendo um pouco mais deste amor, que apenas lhe dilacerava. E se fazia cada vez mais abandonado. As raízes por sua vez, caiam aos poucos, cortando o laço do pequeno curumim, com a terra natal. E ele se achava cada vez mais só. De que forma poderia conviver com tudo que passara. De que forma poderia olhar para o passado doloroso, sem sentir culpa, mágoa ou remorso - Então ele teve uma idéia - disse: "VOU MUDAR" - "VOU SER OUTRA PESSOA" - quem sabe assim, ele não esqueceria o passado e conseguiria ser um pouco feliz. E assim ele caminhou, pela estrada nova de tijolos amarelos - ou laranja - não sei. Assumia cada vez mais a identidade do suposto - já não eram mais as cores e pelos que antes traçava beleza sobre pele branca. Cada vez mais assumia um ar imponente que o tempo lhe dominara, mas que a Arte tratava de deixar abafado, por ter a condição de nos refrear o orgulho e a avareza. E assim ele foi cortando raízes, galhos, troncos, e os Frutos já não mais apareciam. Os que restavam caiam por terra como tãmaras podres, e os pequenos galhos que os pariam foram ficando secos e retorcidos. Assim ele descobriu o trabalho. antes ele fazia Arte - Agora, trabalhava para se manter com o suor do seu rosto. Os pequenos frutos que viriam, estavam sujeitos ao mesmo destino daqueles, que no passado, tinham ficado sòzinhos, e que agora, num arrependimento quase que tardio violavam a lei da distãncia para consolar-se. E assim ele foi levando sua nova tez, sua nova personalidade. Mas eis que não se encontrava. Lembrava-se de vez em quando das estrelas que tinha descortinado, e que tinha colocado um pano negro sobre elas, como se querendo vencer a si mesmo, procurava vencer o outro, distanciando-se esquecendo, deixando para trás. Sobrou um. Uma estrela apenas, que brilhava a distância mas que era a única que compreendia seu comportamento desesperado. Era a única que ainda mantinha o seu passado presente e sua memória ainda reparada. Mas ele tinha que fazer algo. Tinha que se livrar do passado de qualquer jeito. Mas como? Era a sua Estrela... aquela que em momentos de dor e pura imcompreensão corria ao seu encalço e o permitia ser ouvido. Suas queixas nem sempre justas, mas...mas, era isso de que ele precisava. Mesmo que não tivesse razão...e muitas vezes a tinha. Mas a sua maneira de lhe dar com o problema era um misto tão grande de insensatez com agonia que muitas vezes ele trocava os pés pelas mãos e nada fazia direito. Mas sim...esqueci-me - e o que ele fez então? Tinha que apagar a última estrela. Tinha que fazê-la desaparecer, pois, ela era o único meio que o ligava as sua fraquezas, aos seus desgostos, aos seus desamores - ao seu passado - e ele então resolveu tirar a máscara, e temendo que o presente tão valioso, tão caro, que ele consquistara se perdesse, enfiou-lhe a adaga perfurante(na estrela), profundamente - tão profundo quanto sua memória deveria ser apagada. Tão profunda, como se quisesse atingir a primeira lembrança desta estrela sobre sua pessoa e dele sobre ela. E penetrando assim profundamente, ele viu, ainda mais forte, o passado - e isto lhe foi causa de sofrimento maior - de um agudo desespero, tendo que desesperadamente tudo largar e enlouquecer - tornando-se O EGO DESESPERADO - vestiu a fantasia, colocou a máscara e foi viver uma vida de enganos, sem prazer, no meio de uma floresta que ele não compreendia e de um presente que não o aceita.
E sua estrela se apagou!

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