Festival de Inverno de Garanhuns Terá Programação Especial do Cinema da Fundação
Premières nacionais dos últimos trabalhos de Lars Von Trier e William Friedkin,
documentário sobre Tom Zé e outras atrações impedíveis.
Inéditos no interior, os pernambucanos
"O Côco, a Roda, o Pnêu e o Farol", de Mariana Fortes,
e "Baixio das Bestas", de Cláudio Assis,
também compõem grade.
O 17o Festival de Inverno de Garanhuns, organizado pela Fundarpe e Prefeitura de Garanhuns, irá levar, em
parceria com a Fundação Joaquim Nabuco, uma seleção
especial de filmes preparada pelos curadores do Cinema da Fundação.
Os freqüentadores do
evento com um gosto pelo
cinema poderão ver, em primeira mão no Brasil, os filmes O Grande Chefe
(The Boss of It All, 2006),
o mais recente trabalho do aclamado diretor dinamarquês Lars Von Trier
(Dogville, Dançando no Escuro),
e Possuídos (Bug, EUA), do cineasta William Friedkin
(O Exorcista), filme sensação da
seleção Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2006.
Os dois filmes aguardam lançamento nos cinemas do país.
Com estréias regionais, a programação do Cinema da Fundação no
Festival de Garanhuns
trará também o filme iraniano Fora do Jogo (Offside, 2006),
de Jafar Panahi, e o documentário
brasileiro Fabricando Tom Zé, de Décio Matos Júnior.
Também integra a programação o cultuado
sucesso que veio da Coréia O Hospedeiro (The Host, 2006),
de Joon Ho Bong, lançado há algumas semanas no Recife.
A grade de programação traz ainda dois longas pernambucanos que
estréiam no interior do estado: os premiados Baixio das Bestas, de Cláudio Assis,
e O Coco, A Roda, O Pnêu e O Farol, de Mariana Fortes. Além dos longas, um
programa com cinco curtas metragens da última safra serão apresentados,
com filmes pernambucanos
(“Uma Vida e Outra”, de Daniel Aragão; “Schenberguianas”, de Sérgio Oliveira;
“Noite de Sexta, Manhã de Sábado”, de Kleber Mendonça Filho); do Ceará
(“Vida Maria”, de Márcio Ramos) e Paraíba (“Cabaceiras”, de Ana Bárbara Ramos).
A curadoria também convidou os curtas pernambucanos “Eisenstein” e
“No Rastro do Camaleão”, que ficaram impedidos de participar do FIG por conta das suas
cópias únicas estarem programadas no Festival Internacional de Curtas de Minas Gerais
no mesmo período. A animação inédita “Até o Sol Raiá” também se mostra indisponível.
de 20 a 26 de julho / CINE ELDORADO
Sala 2 (192 lugares) / ENTRADA FRANCA
15h30 – 17h30 – 19h30 – 21h30
Ingressos dos filmes do dia na bilheteria do Eldorado 2 a partir das 14h.
Programação
Sexta-feira, dia 20 de julho
15:30h - O COCO, A RODA, O PNÊU e O FAROL
17:30h - BAIXIO DAS BESTAS
19:30h - FORA DO JOGO
21:30h - FABRICANDO TOM ZÉ
Sábado, dia 21 de julho
15:30h - CURTAS
17:30h - FORA DO JOGO
19:30h - POSSUÍDOS
21:30h - O GRANDE CHEFE
Domingo, dia 22 de julho
15:30h - BAIXIO DAS BESTAS
17:30h - O hospedeiro
19:30h - FABRICANDO TOM ZÉ
21:30h - O COCO, A RODA, O PNÊU e O FAROL
Segunda-feira, dia 23 de julho
15:30h - O COCO, A RODA, O PNÊU e O FAROL
17:30h - CURTAS
19:30h - FORA DO JOGO
21:30h - POSSUÍDOS
Terça-feira, dia 24 de julho
15:30h - CURTAS
17:30h - O hospedeiro
19:30h - O COCO, A RODA, O PNÊU e O FAROL
21:30h - O GRANDE CHEFE
Quarta-feira, dia 25 de julho
15:30h - O COCO, A RODA, O PNÊU e O FAROL
17:30h - BAIXIO DAS BESTAS
19:30h - CURTAS
21:30h - O hospedeiro
Quinta-feira, dia 26 de julho
15:30h - O hospedeiro
17:30h - O COCO, A RODA, O PNÊU e O FAROL
19:30h - FABRICANDO TOM ZÉ
21:30h - BAIXIO DAS BESTAS
Filmes (com Sinopses)
O Hospedeiro
(Coréia do Sul) 2006
Terror com Suspense 110 minutos
Direção: Bong Joon-ho
Com Song Kang-ho (Park Kang-du), Byeon Hie-bong (Park Hie-bong)
Classificação indicativa: Não recomendada para menores de 14 (quartoze) anos.
Contém: Cenas de assassinato e lesão corporal.
Sinopse
Na beira do rio Han moram Hie-bong (Byeon Hie-bong) e sua família, donos de uma
barraca de comida no parque. Seu filho mais velho, Gang-du (Song Kang-ho),
tem 40 anos, mas é um tanto imaturo. A filha do meio, arqueira do time olímpico coreano,
juntamente com o filho mais novo estão desempregados.
Todos cuidam da menina Hyun-seo
(Ko Ah-sung), filha de Gang-du, cuja mãe saiu de casa há muito tempo.
Um dia surge um monstro no rio, causando terror nas margens e levando com ele
a neta de Hee-bong. É quando, em busca da menina, os membros da família decidem enfrentar o monstro.
O que acontece sob as águas do rio Han está diretamente conectado ao que
acontece nas entranhas da sociedade sul-coreana. Não por acaso, a maior
parte da ação do filme se passa debaixo de pontes, ou dentro dos esgotos.
“O Hospedeiro” é baseado num polêmico caso real (o incidente McFarland):
o despejo de detritos químicos nas águas do rio Han pelas bases militares norte-americanas instaladas no país.
Assiste-se “O Hospedeiro” com um eterno sorriso nos lábios, que em nenhum
momento diminui quaisquer que sejam as outras emoções fundamentais.
Seja pelo exagero das reações da família quanto aos momentos de comédia-pastelão que o permeiam.
Ou pelos ataques viscerais do monstro que com um tom cômico são ágil,
violento, inteligente, vomitando os ossos das vítimas fora.
Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes de 2006. |
BAIXIO DAS BESTAS
(Pernambuco - Brasil) 2007 Drama / 80 minutos
Direção: Cláudio Assis. Com Mariah Teixeira/Fernando Teixeira/Caio Blat
Classificação indicativa: Não recomendada para menores de 18 (dezoito) anos.
Contém: Exploração sexual contra adolescente, Agressão Física e Verbal,
Consumo de drogas, Estupro, Exploração sexual, Linguagem erótica, Nudez e Sexo Explícito.
Sinopse
Em um pequeno povoado da Zona da Mata, interior de Pernambuco, apenas três
formas de sobrevivência restam aos moradores: a cana-de-açúcar, a exibição do
maracatu ou o sexo. Heitor, que não tem mais idade para o trabalho braçal, tampouco
paciência para o folclore, exibe sua neta Auxiliadora, de apenas 16 anos, nua,
para caminhoneiros na beira da estrada. O mesmo foi feito com sua filha, antes que ela fugisse.
Todos sabem das condições da menina, mas preferem fingir que nada acontece.
Mesmo Maninho, um jovem trabalhador da usina apaixonado pela garota, nada faz para ajudá-la.
Os agroboys, filhos dos políticos e dos fazendeiros locais, sem melhores opções,
passam os fins de semana bebendo, usando drogas, dirigindo em alta velocidade e se
divertindo na casa de prostituição. Cícero, que estuda em Recife, volta todo fim
de semana para aproveitar a impunidade do local, junto com seu amigo Everardo.
O que ele mais quer, porém, é ver Auxiliadora sendo exibida pelo avô.
As condições de vida da mulher no interior do agreste brasileiro são retratadas de uma forma crua e chocante.
A história do Brasil, a história do Nordeste, tudo isso passa pelos canaviais.
O Baixio das Bestas é um lugar e muito mais que isso. É um espaço interior onde habita a besta-fera dos homens.
Os agroboys são repulsivos, os trabalhadores rurais são violentos e as mulheres
são as grandes vítimas dessa violência toda. É uma história de miséria, de exploração.
Cláudio Assis não filma isso para prazer do espectador.
Do mesmo diretor de Amarelo Manga, Baixio das Bestas contém
cenas fortes de sexo e violência como forma de denúncia social.
FORA DO JOGO
(Offside, Iran) 2006
Comédia 88 minutos
Direção: Jafar Panahi
Com Sima Mobarak Shahi, Safar Samandar e Shayesteh Irani
Classificação indicativa: LIVRE
Sinopse
O diretor iraniano Jafar Panahi lança seu olhar para um grupo de garotas que fazem
de tudo para entrar no Azadi Stadium, em Teerã, a fim de assistir a uma partida de futebol.
É época de Copa do Mundo e o Irã participa do torneio. Naquele país, no entanto,
as mulheres são proibidas de entrar nos estádios e participar de eventos como esse.
Os homens do país acreditam que o ambiente, com seus milhares de xingamentos
por segundo e homens com as pernas à mostra, não é ideal para o sexo feminino.
Um grupo de seis garotas, fanáticas por futebol se disfarça e arriscam a se vestir
de meninos para driblar os seguranças e conquistar um lugar nas arquibancadas.
Com o rosto pintado com a bandeira do país e disfarçada de homem,
uma delas consegue comprar o ingresso. Mas algumas delas são capturadas e presas.
Como se fosse um documentário, o filme usa como locação o próprio estádio, no dia do jogo real.
O clima documental é reforçado pelo uso da câmera na mão
(pelo diretor de fotografia Mahmoud Kalari) e de atores não-profissionais,
uma prática comum no cinema iraniano. Uma das seqüências mais engraçadas
acontece quando uma garota convence um soldado de que precisa ir ao banheiro.
Isso cria uma enorme confusão, já que os sanitários do estádio são todos
masculinos, evidentemente. Por isso, o militar obriga todos
os rapazes a sair, montando guarda para que a moça use um dos toaletes.
Jafar Panahi é um cineasta iraniano, cujos trabalhos são proibidos de passar
em seu próprio país. Os atores são todos amadores e o futebol é apenas um
bilhete de entrada para o principal assunto tratado:
o machismo daquela sociedade, que impede mulheres de se divertirem como querem.
Da estréia com O Balão Branco (1995) a Ouro Carmim (2003), o diretor
vem surpreendendo com seus registros imprevisíveis, como fez também no premiado O Círculo (2000). |
POSSUÍDOS
(Bug, EUA) 2006
Suspense 102 minutos
Direção: William Friedkin
Com Michael Shannon/Ashley Judd
Classificação indicativa: Não recomendada para menores de 18 (dezoito) anos.
Contém: Cenas de tensão e terror psicológico.
Sinopse
Adaptação da peça de teatro off-Broadway escrita por Trecy Letts que conta a
história de uma garçonete chamada Agnes (Ashley Judd) que sofre com a violência
do ex-marido Goss (Harry Connick Jr.), recém-libertado da prisão.
Por meio de uma amiga lésbica, R.C (Lynn Collins), Agnes conhece Peter (Michael Shannon),
veterano da Guerra do Golfo com quem tenta iniciar um romance.
Mas este se mostra um preguiçoso e paranóico. E quando Agnes achava que teria
alguma tranqüilidade, agora começa seu verdadeiro pesadelo.
Os dois trancam-se em quarto de hotel, onde vivem uma experiência aterrorizante.
Depois de vencer o Prêmio da Crítica em Cannes 2006 e ficar na geladeira
durante mais de um ano, o filme "Possuídos", de William Friedkin
("Operação França" e "O Exorcista") estreou nos EUA. Ficou em quarto
lugar na primeira semana, competindo com "Piratas do Caribe 3". Ótima performance para um filme independente.
Filme inédito no circuito comercial terá sua estréia nacional
na programação de cinema do 17º Festival de Inverno.
O COCO, A RODA,
O PNÊU e O FAROL
(Pernambuco – Brasil) 2007
Documentário 80 minutos
Direção: Mariana Fortes
Classificação indicativa: LIVRE
Sinopse
“O Coco, a Roda, o Pnêu e o Farol” é um documentário sobre o coco de roda no
Amaro Branco, comunidade dos arredores do sítio histórico de Olinda, lugar onde,
há mais de 100 anos, o coco faz história. O filme resgata, preserva e divulga os
valores culturais, mostrando os personagens, a tradição e a riqueza deste folguedo
nordestino, típico das regiões praianas. O nome do filme sintetiza a comunidade
do Amaro Branco, suas origens e sua rica produção cultural. O Farol ilumina as
embarcações e marca a paisagem do bairro de pescadores, os quais encontraram
no mar um pneu de avião trazido ao Amaro Branco. O objeto foi colocado sob
uma árvore cuja sombra servia de abrigo para os brincantes que se reuniam
para cantar loas e, assim, deram início ao tradicional Coco do Pnêu.
“O Coco, a Roda, o Pnêu e o Farol” foi realizado em Co-produção com o
Fábrica Estúdios e contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Olinda
para a realização e exibição do filme. O longa foi finalizado em 35mm graças
ao incentivo do Governo do Estado através do Sistema de Incentivo à Cultura (Funcultura).
As filmagens aconteceram em 2005 e 2006 e transportam o espectador às raízes
culturais do Amaro Branco, comunidade que conta com 2.000 habitantes e é
reduto de mestres coquistas que são reconhecidos pelo Ministério da Cultura
como integrantes do Ponto de Cultura Alafin Oyó, em Olinda. A película fez sua
estréia durante o Cine PE 2007, em abril, arrebatando o prêmio Gilberto Freyre,
concedido pela importância conferida à música como elemento de miscigenação cultural das raças brasileiras.
O GRANDE CHEFE
(Dinamarca) 2006
Comédia 99 minutos
Direção: Lars von Trier
Com Jens Albinus/Louise Miertiz/Iben Hjejle
Classificação indicativa: Não recomendada para menores de 14 (quartoze) anos.
Contém: Cenas de suspense.
Sinopse
A comédia “O Grande Chefe”, novo filme de Lars von Trier, título em português
de The Boss of It All, terá estréia nacional no Festival de Inverno e está apontado para entrar no circuito comercial em agosto de 2007.
Em “O Grande Chefe”, o dono de uma empresa de TI pretende vendê-la.
Mas, existe um problema: quando iniciou a companhia, inventou um chefe fictício
para respaldá-lo nos momentos de decisões impopulares. No entanto, os futuros
compradores fazem questão de negociar diretamente com o proprietário e, para
resolver a questão, o dono decide contratar um ator que se passe por ele.
À medida que as negociações evoluem, o ator sente-se manipulado em um jogo que testa sua moral (ou a falta dela).
O longa teve sua estréia mundial como o filme de abertura do Festival de
Copenhague em setembro de 2006, marcando a primeira estréia de um filme
do diretor na Dinamarca. O filme marca também o retorno de von Trier à comédia
(o último no gênero foi O Reino). Lars von Trier ajudou a fundar o movimento
Dogma, um conjunto de regras que exigia que os cineastas filmassem só em locação,
com câmeras na mão, luz natural e som direto, entre outros "mandamentos".
Conhecido por filmes como "Dogville" (2003), estrelado por Nicole Kidman,
o diretor ganhou o principal prêmio no festival de Cannes em 2000 por
"Dançando no Escuro", melodrama musical protagonizado pela cantora islandesa Björk.
FABRICANDO TOM ZÉ
O documentário de Decio Matos Jr. retrata a vida e obra de um dos mais
controversos Tropicalistas, Tom Zé, cuja turnê pela Europa em 2005 é o fio
condutor da obra. O filme mistura diferentes formatos de vídeo, película e animação
para mostrar uma detalhada visão do universo musical de Tom Zé,
para o qual um baixo e um esmeril têm a mesma importância melódica.
Em entrevistas bem intimistas, ele narra diversas fases de sua vida e conta como
começou sua carreira na década de 60, o ostracismo nos anos 70 e seu ressurgimento
no início anos 90. O filme ainda conta com entrevistas de Gilberto Gil, Caetano Veloso,
David Byrne e outros. Aos 70 anos, Tom Zé, ainda é considerado um músico
de vanguarda, produzindo um estilo único de música, altamente original.
Homepage Oficial: http://www.fabricandotomze.com.br
Ficha Técnica
Título Original: Fabricando Tom Zé
País: Brasil
Ano: 2006
Duração: 89 minutos
Estúdio: Goiabada Productions, Spectra Mídia, Muiraquitã Filmes e Primo Filmes.
Distribuição: Filmes do Estação
Direção: Décio Matos Jr.
Produção: Décio Matos Jr., Matias Mariani, Omar Leite Jundi e Eliane Ferreira
Música: Tom Zé
Fotografia: Lula Carvalho
Edição: Letícia Giffoni
Elenco: Tom Zé, Neusa Martins, Gilberto Gil, David Byrne e Caetano Veloso. |