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Regis Soares - Crônica (2007)
Regis Soares


bê-á-bá 7

ligo a tv e pela sétima vez me chega aos olhos a mesma (im)pressão
de sempre, o mesmo bê-á-bá, o mesmo sofá, a piscina de azul igual,
as mesmas roupas, adereços e cheiro de álcool em copos grandes, suados, e corpos à mostra....
Parece-nos que o dia nunca termina, ou melhor, as cenas
se amontoam aos nossos pés, dia-a-dia,
noite-a-noite, varando semanas assassinas de consciências
de Antes dispostas.
Retorno ao computador, mais um calor humano se
materializa nas letras cintilantes que recebo.
E foi assim, após um clique barulhento, que outro dia recebi um e-mail de uma colega, falando-nos sobre os heróis do BBB7, assim chamados
pelo apresentador Pedro Bial.
Mas, será que estes BBB’s, ou outros tantos que já
tiveram (fugazmente) esta sigla em seus nomes acoplados,
podem assim ser chamados?
Que graça tem um grupo de homens e mulheres, jovens,
mas não tanto, de estarem confinados (antigamente só para bois no curral), regados a roupas diminutas e goles etílicos,
distribuídos em flashes, 24 horas por dia?
Que exemplo a tantos jovens, e bem mais ainda,
em nossos bairros, que não têm, nem água nos canos de plásticos,
nem bacia sanitária que assim se diga, nem comida em seus
pratos marinex, escola, comida, esgotos esgotados,
que em suas portas não chegam?
Que fartura servida em pratos de inox, em almofadas
expostas, aos seios nacionais de prematuras revistas,
de cachês fáceis, de roupas ao chão?
heróis e heroínas?
Não. Vilões da graça alheia.
Aproveitar a festa, a cerveja bem gelada, a menina do lado (de cá), do namorado(a) distante,
E, o que os olhos não vêem....(?)
Justo, justíssimo. Faríamos o mesmo (falam os menos incautos),
e, é só ficar, ficar, ficar (o último sucesso bem alto no rádio toca)
e meu coração sozinho, os nervos em frangalhos,
as provas que nos provam todos os dias, as luzes,
as câmeras, as camas, as câmaras,
os lençóis de cetim aos líderes esperando,
(líderes do nada)
Não! heróis jamais,
Heróis são outros,
Aqueles de nossa infância, Aqueloutros, dos quais as
benfeitorias eram suas medalhas, o respeito ao próximo
seu escudo, e a palavra cidadania não nos parecia tão
distante (diferente desses nossos atuais dias),
Onde todos endeusam o interesse particular, E o coletivo! CHEIO,
nos levam a realidade bem distante das nossas ruas,
de nossas calçadas descalças, dos carros de passeio brilhantes,
refrigerados, rodas cromadas, pneus gigantes,
enquanto escuto os gritos alucinógenos das festas multicoloridas, de corpos & corpos, (ex)postos, devassos, lascivos
o celebro embotado de cachaça e lágrima, (lembrando de Chico)
e pelo meu silêncio que espanta qualquer sentimento de amor ao
próximo próximo,
pois quanto mais perto me estático, mais distante do teu riso fico.
Heróis do vazio, ausente daquele frio da espinha que o amor nos provoca,
do beijo na mão, do cheiro no rosto, debaixo dos teus cabelos, da menina da carteira escolar, lá da frente.
Heróis de plásticos!
Macáqueos, xeroxtativos à lá galinhas de granjas
Heróis de pó, do pé de barro, que não sentem, o quanto de ar a sua
coroa contém (o inexistente cetro)
mas, enquanto isso, na nave mãe -Bial mais uma vez-
vamos dar mais uma espiadinha.
Enquanto isso, aqui bem perto da gente, só a poesia nos salva e Salvará
Escutemos o poeta! Hélio Rodrigues por tua fala: (apresentado-nos por Jobalo):
“The Great Indian Brazilian Zen Beat Tupiniquim
com sua lança de esperança matará o grande irmão e cantará uma nova canção:
rock and roll sim, George Orwell não”. Ou seja,
“...enquanto lá fora 1984 se perfaz, aqui dentro paz...”

paz, paz, paz ...
De seu regui.
Para o site recifense www.vetorcultural.com de Pedro Paulo A. Rodrigues
Aos sete de maio de dois mil e sete, em nossa cidade do Recife-PE Brasil.


www.vetorcultural.com