“Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor”. A frase de Samuel Beckett dá uma ideia do sentimento que impulsionava os autores ligados ao movimento que surgiu na Europa, no final dos anos 40 e que ficou conhecido como Teatro do Absurdo. Uma das tendências mais importantes na história da dramaturgia mundial, tendo no centro de suas questões o tratamento de forma inusitada da realidade, refletindo o caos universal e o labirinto existencial que cerca o homem. É para aproximar parte desta vasta e riquíssima dramaturgia da população, que ainda se mantém tão atual, que a companhia teatral pernambucana Duas Companhias dá continuidade ao projeto “Que Absurdo!”, hoje, dia 25, às 20h, no Centro Cultural Correios Recife, com o texto Esperando Godot, de Samuel Beckett. Trata-se de uma leitura dramática do autor irlandês, com direção do espanhol Moncho Rodriguez, e elenco formado pelos atores Cláudio Ferrario, Lívia Falcão, Fabiana Pirro, Olga Ferrario e Fábio Caio.
O projeto contará, nos próximos dois meses, com novos convidados tanto para a direção como para a atuação. Uma particularidade do encontro a ser realizado hoje é que estarão juntos em cena pai, mãe e filha, no caso, os atores Cláudio Ferrario, Lívia Falcão e Olga Ferrario. O ciclo de leituras dramáticas do Teatro do Absurdo também será encenado nos dias 28 e 29 de junho, às 20h, com o texto A lição, de Eugène Ionesco; e nos dias 26 e 27 de julho, com o texto as Relações Naturais, de Qorpo Santo. O evento tem o patrocínio dos Correios. Entrada gratuita.
SOBRE OS AUTORES
Samuel Beckett
(1906/989)-Samuel Beckett nasceu em 1906 em Foxrock, perto de Dublin. De família burguesa e protestante, estudou francês e italiano no Trinity College de Dublin, foi professor em Paris, conheceu James Joyce, regressou à Irlanda em 1931, passou por Londres e pela Alemanha, voltou a Paris quando rebentou a guerra, fez parte da Resistência. É no pós-guerra que vive o período mais intenso da sua produção literária, com a escrita em francês e entre outros textos, da peça Esperando Godot de uma trilogia de romances e de quatro novelas (entre as quaisPrimeiro Amor). Depois começa a traduzir os seus textos para inglês e volta a escrever também nesta língua. Constrói uma obra dupla, bilingue, cada vez mais depurada. Recebe o Nobel em 1969, distribuindo o dinheiro entre os amigos.
Eugène Ionesco
(1909 - 1994)-Teatrólogo romeno nascido em Slatina, Ionesco é um dos mais importantes nomes do teatro do século XX, pelo estilo surpreendente e renovador, baseado no surrealismo e no inconformismo perante as convenções sociais.
Sua peça de estréia foi A Cantora Careca(1949), uma comédia de apenas um ato classificada pelo seu autor de anticomédia e que se caracterizava pelo seu surrealismo verbal. Com esta produção, inaugurou um novo tipo de teatro, que depois foi denominado pelos críticos de Teatro do Absurdo, onde os personagens aparentavam grotescas marionetes e cujos diálogos versavam essencialmente sobre a incomunicabilidade no relacionamento humano.
Qorpo Santo
(1829-1883)-Genial, louco, enigmático, profético, rebelde, ousado. O gaúcho José Joaquim de Campos Leão, era tudo isso. Precursor do Teatro do Absurdo e do Surrealismo na dramaturgia, Qorpo Santo chocou a sociedade de sua época. Aos 35 anos, alterações de comportamento levaram-no a ser acusado na justiça de alienação. Deu início então a uma guerra pela preservação de seus direitos que durou até a morte.
As peças que compõem o teatro de Qorpo Santo foram todas escritas durante um período de febril criatividade entre 31 de janeiro a 16 de maio de 1866. Sua obra teatral só foi apresentada ao público pela primeira vez em 1966 ou 1968 (não se sabe ao certo) através da montagem de três de suas peças.
No mundo dos sonhos recuperados, do mergulho no inconsciente, é que deve ser encaixado o teatro de Qorpo Santo. Autor de uma obra que, não apenas resistiu com bravura à passagem do tempo como, a cada dia, soa mais intrigante, desafiadora e vital.
SERVIÇO:
O QUE: Espetáculo Que Absurdo! Ciclo de leituras do Teatro do Absurdo
ONDE: Centro Cultural Correios Recife
QUANDO: Hoje, dia 25 de maio, às 20h
Entrada franca.
|